Pode-se realizar o estudo histológico utilizando-se imunofluorescência direta para evidenciação de depósitos, nos tecidos, de imunoglobulinas, complementos e fibrinogênio. Esses anticorpos são ligados a um marcador fluorescente tal como fluoresceína isotiocianato para permitir a sua identificação através do uso de microscópio de luz fluorescente.

    Na dermatopatologia utiliza-se mais frequentemente a imunofluorescência para esclarecimento diagnóstico de doenças bolhosas, colagenoses e vasculites, devendo ser destacado que é essencial que o diagnóstico final seja sempre feito após correlação dos achados da imunofluorescência com aqueles da histopatologia de rotina (hematoxilina-eosina) e demais achados clínicos que envolvem história e exame físico.

     


    Há duas maneiras de se encaminhar biopsias para exame de imunofluorescência:

    1) Enviar a fresco em frasco contendo soro fisiológico gelado, sob refrigeração. Pode ser utilizado recipiente isolante térmico fechado, por exemplo, pequena caixa de isopor, contendo cubos de gelo. Nesses casos, o material deve ser encaminhado para o patologista ou para o laboratório o mais rápido possível (entre 30 min e uma hora). No laboratório, o material será examinado imediatamente ou, o que é mais comum, será armazenado em nitrogênio líquido para exame posterior.

    2) Enviar em meio de transporte adequado (meio de Michel), que preserva o material por mais tempo (em torno de 48 a 72 horas ou mesmo uma semana), e que pode ser utilizado caso o laboratório esteja distante. Nesses casos, o envio pode ser através de transportes expressos, desde que o tempo de entrega do material esteja dentro do prazo previsto para a preservação do mesmo.

    Importante: Em ambos os casos, o patologista deve ser comunicado para que se marque a data para obtenção do material e para que se tenha certeza de que o meio de transporte, quando necessário, estará disponível na data marcada. O ideal é que a biopsia seja realizada nos primeiros dias da semana pois, na maioria dos laboratórios, a reação é realizada até no máximo sexta-feira, devendo o material chegar no local de destino (laboratório que realizará o exame) até quinta-feira.


    Clique aquí para obter o formulário para pedido de exame de imuno-fluorescência.

     


    Pode-se utilizar anticorpos nos cortes histológicos de tecidos, os quais localizam enzimas (peroxidase ou fosfatase) em locais de expressão antigênica. O que permite que a reação seja vista ao microscópio é a presença do cromógeno - um reagente que desenvolve uma cor, a qual pode ser reconhecida em locais onde estão presentes os complexos enzima-antígeno-anticorpo.

    Para a realização da técnica com a maior parte dos anticorpos, utiliza-se material parafinado o qual permite maior durabilidade dos cortes histológicos. Entretanto, muitos anticorpos monoclonais requerem cortes obtidos após
    congelação do material.

    Os cortes histológicos feitos com a finalidade de serem submetidos à imuno-histoquímica, devem ser colhidos em lâminas previamente cobertas com substância aderente para facilitar a adesão dos fragmentos; caso contrário, os fragmentos poderão se desprender da lâmina.

    Várias técnicas vêem sendo usadas desde os anos setenta: a peroxidade-antiperoxidase (PAP) que tem sido substituída por técnicas mais sensíveis como o complexo avidina-biotina-peroxidase (ABC), a fosfatase alcalina-anti-fosfatase alcalina (APAAP) e estreptavidina peroxidase.



    Utiliza-se a imuno-histoquímica em dermatopatologia para diagnóstico diferencial de neoplasias, entre elas, melanoma, linfomas, tumores de pequenas células como Merkel, carcimonas escamosos de pequenas células, sarcomas e algumas neoplasias anexiais. Recorre-se também aos anticorpos em algumas situações isoladas como para se demonstrar a presença ou ausência de melanócitos nas lesões suspeitas de vitiligo e quando se deseja estudar a presença e integridade de filetes nervosos na hanseníase, além de vários outros usados em pesquisas com numerosos objetivos.

    Abaixo encontra-se listagem de alguns dos marcadores mais comumente utilizados nas biopsias cutâneas:

    NEOPLASIAS
    MARCADORES
    MELANOMA HMB - 45
    MELAN A
    PROTEÍNA S100
    CARCINOMAS (Ca) Citoceratinas (CK) de baixo e de alto peso molecular
    CEA (antígeno cárcino-embrionário) para tumores de glândulas
    Ca de células de MERKEL CK 20
    Sinaptofisina
    Cromogranina
    Enolase neurônio específica
    LINFOMAS LCA (antígeno leucocitário comum)
    Painel para linfomas

     



    Colorações especiais são, em geral, métodos histoquímicos que podem ser aplicados ao material fixado em formol e embebido em parafina. As mais utilizadas em dermatopatologia, com descrição de suas finalidades,estão listadas abaixo:

    FINALIDADE /COR ADQUIRIDA
    MÉTODO
    Polissacarídeos (particularmente glicogênio) /Púrpura.
    PAS sem diastase
    Mucoproteínas contendo polissacárides neutros
    (membrana basal/parede de fungos) /Púrpura

    PAS com diastase
    Mucopolissacárides ácidos (mucina - substância
    fundamental; secreção de células epiteliais; doença de Paget extra-mamária e outros tumores anexiais)

    Alcian blue
    pH 2,5 (azul alciano)
    Sulfato de condroitina da cartilagem.
    Alcian blue
    pH 0,5 e 2,5
    Fibras elásticas /Coram em negro.
    Weigert
    (resorcina-fucsina)
    e Verhoeff-Van Gieson
    Cálcio /Cora em negro.
    Von Kossa
    Amilóide /Laranja vivo
    Vermelho congo
    Colágeno /Azul, músculo /Vermelho.
    Tricrômico de Masson
    Grânulos dos mastócitos /Cor púrpura.
    Giemsa
    Hemossiderina /Azul.
    Perls
    Espiroquetas /Negro.
    Warthin-Starry
    Melanina /Negro.
    Fontana-Masson
    Fungos /Negro.
    Grocott

     

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